Na dúvida, intervenha!

Muitos médicos tem medo de criar um rótulo equivocado em cima de uma criança e por isso são bem cautelosos ao dar diagnostico, e existem também aqueles que por desconhecimento mesmo, acabam deixando passar em branco algum problema de desenvolvimento e repetem aquela velha frase: "cada criança tem seu tempo".
Com certeza cada criança tem seu tempo mesmo, mas é preciso ficar atento aos marcos de desenvolvimento e se você desconfiar que algo não vai bem, procure logo um especialista. A intervenção em casos de atraso de linguagem ou qualquer transtorno de desenvolvimento é feita de forma lúdica e não tem qualquer contra indicação, se seu filho fizer acompanhamento fonoaudiologico ou terapia ocupacional e mais tarde você descobrir que ele não tem nada, o máximo que pode acontecer é ele ter sido exposto a estímulos que só fazem bem.
Na minha busca por respostas e idas e vindas a médicos e vários profissionais, eu cheguei a conclusão que, mais do que encontrar respostas, eu precisava encontrar soluções, e independente de qualquer coisa, eu precisava agir.
Até os três anos de idade a neuroplasticidade cerebral esta a todo vapor, por isso quanto antes a intervenção for feita, maior vai ser a resposta. Nesta idade o sistema nervoso é muito mais capaz de adaptar-se e moldar de acordo com as experiências vividas. Portanto, não espere fechar diagnostico. Intervenha o quanto antes, procure profissionais e procure maneiras de estimular seu filho em casa também. Uma criança que, assim como meu filho, possui características dentro do espectro autista, pode sim deixar de apresenta-las com tempo, não encare isso como um rótulo definitivo.

Uma coisa super simples que deu muito resultado aqui em casa foi uma espécie de narrativa que comecei a fazer com o Igor. Eu comecei a narrar tudo que acontecia em volta, narrar mesmo, com todos detalhes, saíamos na rua e eu descrevia tudo, desde um carro que passava, ate os degraus que subíamos. Deu muito certo, ainda hoje faço isso, mas apenas em situações novas, pois na situações cotidianas, ele mesmo já faz. No inicio era só repeteco, inclusive a entonação que eu usava, mas hoje ele já e capaz de descrever uma cena usando algumas expressões que ele mesmo criou. Essa técnica pode ser usada assistindo TV, na hora de preparar uma refeição, na hora de se vestir, o tempo todo e funciona muito bem. 
O que eu senti com isso é que ele começou a entender melhor o sentido e a função da fala. Ele ainda fala coisas fora do contexto, mas vem melhorando muito e tenho certeza que vai melhorar muito mais.

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