Pra começo de conversa

Como muitas mulheres eu também tinha aquele sonho de ser mãe. O meu sonho se realizou e eu recebi o maior de todos os presentes, um menininho lindo, forte e saudável. Não era um bebe enorme, mas com seus 46 cm e 2,735 kg era dono de pulmoezinhos capazes de expressar o que foi chamado pelo medico no dia de, o choro mais alto da maternidade.
E assim foi por quase 6 meses, Igor chorava por horas, e eu no auge do meu desespero só conseguia chorar junto. Com o passar do tempo ele foi se acalmando e só ai eu consegui viver realmente a alegria da maternidade.
Com 1 ano e 3 meses ele deu seus primeiros passinhos e com 1 ano e meio já cantava canções inteiras, que transbordavam a casa de pureza e alegria. Eu jamais poderia imaginar que haveria qualquer problema com a fala dele, logo ele, que tanto gostava de usar sua voz, conhecia letras de musicas, repetia orações inteiras e decorava e repetia o que era lido em cada pagina dos livros que eu lia pra ele. Com o tempo fui percebendo que ele somente era habilidoso quando se tratava de repetições, ele não era capaz de sustentar um dialogo simples, como as crianças da sua idade, e se questionado sobre alguma coisa, só fazia repetir o seu interlocutor. Notava também que ele, raríssimas vezes falava mamãe, isso me deixava ate um pouco frustrada, mas sempre acreditei que logo ele começaria a me chamar.
Um dia em uma consulta que marquei com uma pediatra, que não o acompanhava regularmente, ela nos alertou para o comportamento dele, que ao sentir vontade de sair da sala, só fazia chorar e apontar a porta e em nenhum momento se expressou verbalmente, isso por volta dos seus 2 anos e 4 meses. Ela sem rodeios logo nos disse que, suspeitava de autismo e nos orientou a procurar um neuropediatra.
Sai do consultório achando loucura. Como ela poderia ter levantado uma suspeita dessas em tão pouco tempo? Nem eu, nem meu marido nunca havíamos notado nele qualquer comportamento que julgássemos anormal, tudo era "coisa de criança mesmo".
Dois meses depois Igor entrou pela primeira vez na escolinha. No inicio ele parecia estar adorando, aquele lugar cheio de brinquedos, como parquinho lindo. Ele corria pra todo lado e era uns dos mais agitados da sala, mas sempre feliz. Na segunda semana tudo mudou, ele chorava muito, não queria entrar na sala, com isso eu fiquei em sala com ele por uns 3 dias. Durante esse período eu pude observar as outras crianças da mesma idade e pra mim foi um choque muito grande perceber que realmente o Igor era muito imaturo em relação às outras que já sabiam falar o nome da mãe, do pai, falavam o que comeu e se expressavam quando sentiam frio ou calor. A sensação que eu tinha é que ele estava na turma errada, pois ele se pareava muito mais com os bebes da turma abaixo, do que com as crianças da turma dele.
Nesse momento a ficha caiu, pude perceber que realmente era preciso procurar ajuda e fui ler e me informar mais. Já na primeira consulta com a neuropediatra ela encaminhou à fonoaudiologia e pediu vários exames. Assim fizemos e durante a avaliação fonoaudiologica que fomos entender que realmente algo não estava adequado. Nesta consulta fui apresentada ao termo "ecolalia", e fui entender que o Igor apresentava tanto ecolalia imediata, quanto tardia, pois repetia, o dia todo, varias frases prontas que ouvia na escola.
Fizemos os exames, nada de anormal, e nenhum diagnostico mas fomos orientados a iniciar o acompanhamento também em terapia ocupacional. Assim fizemos e ele começou a fazer essas duas intervenções. Nesse momento eu percebi que ele não ia ter nenhum diagnostico fechado tão cedo, mas os encaminhamentos falavam de transtorno global de desenvolvimento.
Diante de tudo isso veio uma tristeza imensa, uma sensação de que tudo aquilo que eu havia sonhado, idealizado, de repente não iria mais se concretizar, foi um período difícil, mas de muita busca também. Fomos em outros médicos, outros profissionais e sempre a mesma coisa.
Foi quando eu decidi que não era preciso diagnostico para agir e entendi que por mais que seja importante a intervenção dos profissionais, o mais importante mesmo era eu me envolver com tudo aquilo e ser capaz de fazer uma espécie de "terapia intensiva"  em casa, já que ninguém passa maior tempo com ele do que eu e ninguém mais conhece e é capaz de perceber melhor do que eu, as suas dificuldades e limitações.

De fato quando eu comecei a intervir, pudemos observar uma mudança excepcional e é disso que vamos falar aqui, para muitas mães, que assim como eu, tem filhos com alguma dificuldade, possam fazer algo a mais e acima de tudo com muito amor. 

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